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domingo, 27 de outubro de 2024

NOTAS PARCIAIS SOBRE UM PROCESSO ELEITORAL...

Eleições Municipais de 2024 – Ponta Grossa/PR

 

Há alguns anos eu participo dos bastidores do processo eleitoral, seja como advogado, seja como consultor. Já fui filiado a partidos de esquerda, a partidos de extrema-esquerda, e atualmente faço parte da Diretoria do Partido Cidadania (Cidadania 23), em Ponta Grossa-PR, que é um partido de centro.

Desde abril 2022 o nosso partido está federado com outro partido de centro que é o PSDB, formando a Federação PSDB-Cidadania, cujo Registro de federação partidária no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é 0600291-73.2022.6.00.0000.

Esse ano, além dos bastidores, com os demais membros da diretoria, passamos à protagonistas no processo eleitoral de Ponta Grossa, pois na convenção da Federação lançamos uma candidata para concorrer ao cargo de Prefeita e outra a vice, além de termos lançado uma candidata e um candidato para concorrer aos cargos da vereança.

Participamos ativamente da elaboração do plano de governo e das estratégias de campanha.

Nossos dois candidatos à vereança fizeram uma boa votação, mas dentro do sistema proporcional, em que consideramos a quantidade de votos válidos para ver quantas cadeiras um partido tem direito (por meio do Quociente Eleitoral), nossos dois candidatos não foram eleitos. Mas a nossas duas candidatas à prefeitura foram as mais eleitas no primeiro turno, passando a disputar o segundo turno, cuja cotação ocorreu neste dia 27/10/2024.

Durante a campanha eu vi muitas coisas que, até então e sempre nos bastidores, eu não tinha visto.

A partir do momento em que nossas duas candidatas à prefeitura (titular e vice) foram ao segundo-turno, a quantidades de pessoas que se aproximaram do nosso grupo político na clara intenção de ganhar alguma coisa (um cargo comissionado caso elas fossem eleitas) foi muito grande.

Pessoas de grupos políticos adversários no primeiro turno vieram nos procurar para prestar apoio (aquele apoio em troca de um cargo comissionado, uma diretoria, uma secretaria...)

Eu vi a pessoalidade dos agentes públicos que deveriam ser impessoais; vi o jogo duplo de gente que estava defendendo a candidata opositora e passou a também defender as nossas candidatas (promessa de voto) também com intensões de ganharem ou manterem seus empregos.

E nós ainda tivemos uma grande dificuldade: a candidata adversária é a atual prefeita, então estávamos concorrendo contra o poder político instituído, contra a máquina pública.

Vi servidores da prefeitura que falando mal da nossa adversária, mas fazendo campanha para ela.

Vi compra a descarada compra de votos por parte da candidata adversária. Cheguei a seguir o “vendedor”, que entrou no comitê da adversária.

Lutamos contra as fake news de comissionados da nossa adversária.

Enfim, vi tudo aquilo que sempre acontece e que sempre aconteceu aqui no Brasil.

Mas fora as frustrações pessoais, participar desse processo de forma protagonista me fez refletir muito sobre a democracia.

Nas minhas aulas de direito eleitoral e de direito administrativo, eu sempre ensino que a democracia é um regime político em que o povo, por meio de seus representantes escolhidos pela maioria, participa da gestão da coisa pública.

Mas esse jeito de fazer política partidária que vi, me faz pensar que a democracia pode ser o pior dos regimes políticos.

Ela é tão democrática que permite ser manipulada. Ser democrática é seu Calcanhar de Aquiles!

Veja, a ideia de uma disputa política sadia seria a partir da apreciação, pela população, das propostas de governo de um candidato.

Ali nós podemos sentir se ele pode nos representar ou não; se vai ter condições de fazer a gestão da coisa pública e se vai atender ao interesse público.

A população então, de forma livre, desimpedida e sem qualquer vício, terá condições de escolher aquele candidatou ou candidata que melhor se apresenta para fazer a gestão da coisa pública.

Contudo, quando um candidato permite ou não combate que sua equipe faça compra de votos, permite que sua equipe faça afirmações falsas e levianas, e usa o poder político instituído para se sobrepor ao seu concorrente, a população que não tem condições de saber os bastidores do poder e todas as falcatruas que se usam para ganhar votos, essa população é manipulada.

Mas essa experiência protagonista no processo eleitoral rendeu uma boa de uma reflexão e uma boa de uma conclusão: temos que repensar a nossa democracia e o como temos que exercitá-la para que o interesse público seja atingido um dia.

27.10.2024.