Desde que me formei e comecei a advogar eu venho me deparando com
situações em que alguém se mostra extremamente frustrado em alguma relação em
que se encontra.
Esse sentimento às vezes é tão intenso que pode originar o cometimento de
um delito.
Cito isso nas minhas aulas de direito penal, quando vou falar do
homicídio privilegiado, em que eu menciono que a violenta emoção logo após a
injusta provocação da vítima deve ser compreendida no contexto da nossa
sociedade atual, que, como diz a letra do Queen, vive under pressure.
Vivemos num contexto em que cada vez mais os freios inibitórios das
pessoas se mostram ineficazes.
Relendo Hobbes (O Leviatã) e Pinker (Tábula Rasa: a negação contemporânea
da natureza humana), estou tendendo a crer que realmente o ser humano é mau por
natureza e que essa característica é inibida pelas várias instâncias de
controle social, como a família, a religião, a escola, a influência dos grupos
de pares, etc.
Mas voltando aos dias de hoje eu tenho escutado muitas pessoas próximas
reclamando de o quanto estão sendo prejudicadas em relacionamentos “tóxicos”,
ou seja, relacionamentos que acabam sendo malignos, prejudiciais.
Tenho escutado de pessoas próximas que viviam um relacionamento em que o
consorte acabou se mostrando uma pessoa violenta.
Outros relatos são de amizades em que não havia reciprocidade ou era
baseada em interesses econômicos.
Escutei relatos de relacionamentos profissionais tóxicos e ambientes de
trabalho tóxicos.
Mais recentemente, o que me fez pensar sobre o assunto, foi uma ex-aluna
e colega que confidenciou que estava vivendo uma fase difícil em razão de
recentemente ter se separado do seu companheiro.
Quando eu comecei a lamentar ela afirmou que estava se sentindo melhor,
mais leve e feliz com a separação.
Isso demonstra o quanto nos faz mal um relacionamento dito “tóxico”.
Ele é capaz de retirar a nossa dignidade e até mesmo mudar a forma como
nos enxergamos, fazendo com que nossa estima fique baixa.
Isso é péssimo e o resultado disso é o numero de pessoas que atentam
contra sua vida, que entram em um quadro clínico depressivo, que precisam fazer
terapia e consultar um psiquiatra.
Parece que a felicidade hoje só é possível à base de remédios.
Agora, se formos pensar qual é o nosso propósito aqui na Terra, porque
nascemos, crescemos, nos desenvolvemos e morremos, me parece que não é para
viver uma vida de tristezas.
Enfim, fica aqui uma parcial visão do mundo e a preocupação com esses
relacionamentos tóxicos que, cada vez mais, parecem que fazem parte do normal.
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