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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

RELACÕES TÓXICAS: O MAL-ESTAR DA -PÓS-MODERNIDADE

 

Desde que me formei e comecei a advogar eu venho me deparando com situações em que alguém se mostra extremamente frustrado em alguma relação em que se encontra.

Esse sentimento às vezes é tão intenso que pode originar o cometimento de um delito.

Cito isso nas minhas aulas de direito penal, quando vou falar do homicídio privilegiado, em que eu menciono que a violenta emoção logo após a injusta provocação da vítima deve ser compreendida no contexto da nossa sociedade atual, que, como diz a letra do Queen, vive under pressure.

Vivemos num contexto em que cada vez mais os freios inibitórios das pessoas se mostram ineficazes.

Relendo Hobbes (O Leviatã) e Pinker (Tábula Rasa: a negação contemporânea da natureza humana), estou tendendo a crer que realmente o ser humano é mau por natureza e que essa característica é inibida pelas várias instâncias de controle social, como a família, a religião, a escola, a influência dos grupos de pares, etc.

Mas voltando aos dias de hoje eu tenho escutado muitas pessoas próximas reclamando de o quanto estão sendo prejudicadas em relacionamentos “tóxicos”, ou seja, relacionamentos que acabam sendo malignos, prejudiciais.

Tenho escutado de pessoas próximas que viviam um relacionamento em que o consorte acabou se mostrando uma pessoa violenta.

Outros relatos são de amizades em que não havia reciprocidade ou era baseada em interesses econômicos.

Escutei relatos de relacionamentos profissionais tóxicos e ambientes de trabalho tóxicos.

Mais recentemente, o que me fez pensar sobre o assunto, foi uma ex-aluna e colega que confidenciou que estava vivendo uma fase difícil em razão de recentemente ter se separado do seu companheiro.

Quando eu comecei a lamentar ela afirmou que estava se sentindo melhor, mais leve e feliz com a separação.

Isso demonstra o quanto nos faz mal um relacionamento dito “tóxico”.

Ele é capaz de retirar a nossa dignidade e até mesmo mudar a forma como nos enxergamos, fazendo com que nossa estima fique baixa.

Isso é péssimo e o resultado disso é o numero de pessoas que atentam contra sua vida, que entram em um quadro clínico depressivo, que precisam fazer terapia e consultar um psiquiatra.

Parece que a felicidade hoje só é possível à base de remédios.

Agora, se formos pensar qual é o nosso propósito aqui na Terra, porque nascemos, crescemos, nos desenvolvemos e morremos, me parece que não é para viver uma vida de tristezas.

Enfim, fica aqui uma parcial visão do mundo e a preocupação com esses relacionamentos tóxicos que, cada vez mais, parecem que fazem parte do normal.

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